Teixeira: Alunos do Colégio Henrique Brito revitalizam a Biquinha em aula de campo na Semana Mundial do Meio Ambiente

Teixeira de Freitas: Enquanto o sol nascia sobre o Parque Municipal da Biquinha, na manhã do último dia 03 de junho, um grupo de estudantes do Colégio Estadual Henrique Brito – Tempo Integral trocava cadernos por mudas de árvores, frascos de coleta de água e cadernetas de anotações. A atividade fez parte da programação da Semana Mundial do Meio Ambiente e representou a culminância de quase dez anos do projeto “Revitalização Ambiental – Biquinha, Coração Verde!” (2017–2026).

A aula de campo não foi um passeio, mas uma operação científica e cidadã. Divididos em estações, os alunos realizaram coleta de água e solo para análises futuras, identificaram áreas de nascente degradadas e deram continuidade ao plantio de mudas – parte de um esforço que já soma cerca de 6 mil árvores reflorestadas no entorno do aquífero. Destas, 3.500 foram produzidas no próprio viveiro educador da escola, um espaço que transforma pátio em berçário de espécies nativas.

“A Biquinha é o coração que bombeia o sangue da terra, que é a água”, lembra um dos trechos do projeto, citando a sabedoria local. O aquífero, que abastece bairros como Teixeirinha, Bom Jesus, Colina Verde e os residenciais Monte Serrat, enfrenta décadas de degradação por desmatamento da mata ciliar, deslizamentos e ocupação urbano-desordenada – consequências que, segundo os organizadores, já levaram até à perda de vidas humanas.

A atividade integrou o componente curricular Práticas Integradoras da Modalidade de Educação de Tempo Integral (ProEI), implantada em 2017. Mas o aprendizado extrapolou a biologia e a geografia: alunos mediram pH da água, cartografaram áreas de risco, produziram mudas no viveiro e ainda participaram de oficinas sobre plantas medicinais – tanto na escola quanto in loco, no parque.

A aproximação com a comunidade também foi estratégica. Moradores antigos relatam que a Biquinha já foi uma caixa-d’água natural, com dezenas de nascentes convergentes, capaz de abastecer toda a população teixeirense e desaguar nas bacias dos rios Peruípe, Itanhém e Jucuruçu. Hoje, o projeto conta com parcerias como o Viveiro Arboretum e o Sr. Carlos Faé, que doaram mudas, além de instituições eclesiásticas, órgãos públicos e privados.

Enquanto alguns alunos manuseavam pás e enxadas, outros preenchiam relatórios para a Feira de Ciências – FECIBA e anotavam observações sobre o Dia Mundial da Água e as palestras que ocorreram ao longo do ano letivo. A aula de campo, na prática, foi a prova de que educar para 100 anos – como sugere o provérbio de Confúcio citado no projeto – começa com o plantio de uma árvore aos 10.

Ao final da manhã, sobreviviam mais de cem novas mudas firmadas na encosta, garrafas de água coletadas para análise laboratorial e um entendimento renovado entre os jovens: preservar a Biquinha não é um ato isolado de bondade com a natureza – é garantir que o “coração verde” continue batendo para os próximos 1.000 anos.
Por: Edvaldo Alves/LN