Prado: Justiça manda soltar liderança indígena presa por suspeita de relação com ataque que deixou turistas feridas

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a soltura de uma liderança indígena que estava presa preventivamente por suspeita de envolvimento no ataque a tiros contra um veículo que deixou duas turistas gaúchas feridas, no distrito de Corumbau, em Prado, no extremo sul da Bahia.
As mulheres ficaram internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães e já receberam alta. A decisão foi proferida na noite de segunda-feira (9), em julgamento de habeas corpus apresentado pela Defensoria Pública da União (DPU).
Na decisão, a relatora do caso afirmou que, apesar da gravidade do episódio investigado, os elementos reunidos até o momento não são suficientes para justificar a manutenção da prisão preventiva.
A magistrada destacou que os indícios de autoria atribuídos ao investigado ainda são considerados iniciantes e se baseiam principalmente no depoimento de um adolescente apreendido, sem confirmação por outras provas nesta fase da investigação.
O tribunal determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, como o comparecimento periódico em juízo, a proibição de contato com outros investigados, exceto familiares, a proibição de mudança de residência sem autorização judicial e o uso de monitoração eletrônica.
A decisão também levou em consideração que os demais investigados no caso já haviam obtido liberdade provisória ou prisão domiciliar anteriormente. Segundo o tribunal, manter apenas a liderança indígena presa poderia caracterizar tratamento desigual no processo.
Com a nova decisão, todos os oito investigados passam a responder ao processo em liberdade, desde que cumpram as medidas impostas pela Justiça. As investigações do caso seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, que apura as circunstâncias do ataque e a participação dos suspeitos.
Relembre o caso
Duas turistas do Rio Grande do Sul foram baleadas ao passar de carro por um local de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros em Prado, no extremo sul da Bahia.
As vítimas são duas mulheres do Rio Grande do Sul, identificadas como Denise Moro, de 57 anos, e Josiane Moro, de 55, que passavam férias em Corumbau. Elas são da cidade de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com as investigações, elas seguiam de carro para um passeio na praia da Barra do Cahy quando o veículo foi atingido por disparos de arma de fogo ao tentar atravessar um bloqueio em uma estrada vicinal da região.
As duas turistas foram socorridas inicialmente em uma unidade de saúde local e, em seguida, transferidas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro.
As mulheres passaram por cirurgias logo após o ocorrido e se recuperaram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães. As duas mulheres receberam alta hospitalar no início de março.
Fonte: G1