Eleição 2026: O Segundo Turno e os Votos dos Indecisos

Transformar indecisos em votos é uma tarefa especialmente difícil no segundo
turno. Converter abstenções em participação eleitoral representa um desafio ainda
maior, pois envolve fatores que ultrapassam a simples escolha entre candidatos.
Muitos indecisos que compareceram às urnas no primeiro turno já tinham uma
definição, ainda que provisória, sobre o que desejavam. Por isso, os votos brancos
e nulos podem representar apenas uma pequena parcela de eleitores dispostos a
rever sua posição e escolher um candidato.
Também é necessário considerar aqueles que votaram no candidato de sua
preferência no primeiro turno e agora precisarão optar por outro nome. Nesse caso,
o voto deixa de ser uma escolha por identificação e passa a ser orientado, muitas
vezes, pela rejeição ou pela eliminação de uma alternativa considerada menos
adequada.
Entre os que não compareceram às urnas, podem ser observados diversos motivos.
Um deles é a falta de atualização do sistema eleitoral, que ainda mantém, em
algumas situações, pessoas falecidas ou eleitores sem condições de locomoção
nas listas ativas. Há também aqueles que, por não serem obrigados a votar, optam
por não participar, especialmente idosos e jovens que já não compareceram ao
primeiro turno. É provável que parte desse grupo mantenha a mesma decisão no
segundo turno.
Outro fator é o deslocamento. Algumas pessoas estavam fora de seu domicílio
eleitoral e não puderam votar, enquanto outras, mesmo tendo a possibilidade de
comparecer, permanecerão viajando ou enfrentarão dificuldades semelhantes. Há
ainda aqueles que, por convicção, não desejam participar do processo eleitoral.
Observando eleições anteriores, percebe-se que o contingente de abstenções
costuma permanecer relativamente estável, apresentando apenas pequenas
variações ao longo do tempo.
Nesse cenário, o comportamento dos militantes também exerce influência
significativa. A forma como eles se comunicam pode aproximar ou afastar os
eleitores indecisos. Apelos grosseiros, arrogantes, violentos ou desequilibrados
dificilmente produzem resultados positivos. A urgência desordenada para
conquistar votos, acompanhada de argumentos contestáveis e pouco
convincentes, pode transmitir uma imagem de desespero e fragilidade.
Os eleitores já construíram suas percepções sobre os candidatos ao longo da
campanha. No segundo turno, eles avaliam propostas, comportamentos e
posicionamentos com maior atenção.
Demonstrar oportunismo, despreparo ou instabilidade pode comprometer a credibilidade da candidatura.
Nesse momento, serenidade, respeito e coerência são mais eficazes do que pressão, agressividade
ou improviso.
No livro “A Teoria da Inteligência Afetiva” de Ted Brader, 2005, ele aborda estes
temas demonstrando que estes apelos não são positivos.
Milton Lodge e Charles Taber no seu livro “Placar Contínuo” explica como os
eleitores processam a avaliação dos políticos durante o processo eleitoral.
Por: Joselito Souza